Sexta-feira da IV Semana da Páscoa
Evangelho – João 14,1-6

Porque da leitura dos Atos dos Apóstolos no Tempo Pascal?

O Tempo Pascal é muito rico em sua temática uma vez que encontramos a manifestação de Jesus Ressuscitado através dos vários testemunhos de pessoas que o viram e, por outro lado, encontramos neste Tempo Litúrgico os Atos dos Apóstolos. Aqui, numa análise geral da mensagem cristã, podemos dizer que o Tempo Pascal é marcado por esta característica marcante pautada sob a tutela dos Apóstolos. Tanto que durante os cinquenta dias deste tempo a primeira Leitura se reserva aos Atos dos Apóstolos. Feito isto podemos mencionar algumas particularidades tendo como base um grande teólogo chamado Raymond Brown.

O autor não dá título algum a esse livro, como não dará também ao evangelho, mas escritores eclesiásticos posteriores cognominaram-no de “Atos” (no sentido de feitos), comparando–o, assim, implicitamente, aos escritos helenistas de mesmo nome, que descreviam a carreira e as conquistas de homens famosos.

O qualificativo “dos Apóstolos” – (Em 28 capítulos aparecem referências esporádicas aos apóstolos (p. ex. , At 1,2;4,36-37;5,12;8,1), que são consistentemente Doze (cf. At 6,2.6), com exceção de Paulo e Barnabé em At 14,4.14. A única figura que recebe amplo tratamento no Atos, além de Pedro e Paulo (e Barnabé, como companheiro de Paulo), é Estêvão, que não é designado apóstolo) – não é exato, pois há apenas duas figuras proeminentes: Pedro (que é um dos doze apóstolos, e aparece primeiramente com João) sobressai-se em nove ou dez capítulos e Paulo (que é chamado de apóstolo apenas duas vezes e aparece primeiramente com Barnabé) predomina em dezessete capítulos.

De quando em vez, portanto, os estudiosos preferem a denominação: Atos de Pedro e de Paulo. No que se segue, dedicar-se-á proporcionalmente maior discussão aos primórdios pré-paulinos porque em nenhuma outra parte do NT eles são tão pormenorizados. Nesse material, voltaremos nossa atenção para a continuação, em Atos, do retrato de Jesus em Lucas.

A passagem de Chipre para Antioquia da Pisídia, na Ásia Menor (At 13,13-50), pode ter sido uma extensão da missão mais arriscada do que Atos deixa transparecer, e talvez essa seja a causa da desistência de João Marcos e de sua volta para Jerusalém (At 13,13). Uma referência posterior (At 15,37-39) mostra que essa partida deixou uma péssima lembrança em Paulo. O autor faz do que aconteceu na Ásia Menor, em Antioquia da Pisídia, quase um modelo da missão paulina. Ali, Paulo (doravante chamado assim) faz um sermão sinagogal (At 13,16-41) que, em seu apelo ao AT e no resumo do que Deus realizou em Jesus, não é diferente dos sermões anteriormente proferidos por Pedro.

Aqui é bom esclarecer: “indubitavelmente o autor compôs o discurso atribuído a Paulo; contudo, a composição não é estranha ao pensamento cristológico atestado nas cartas de Paulo. Por exemplo, At 13,23 relaciona Jesus à posteridade davídica e At 13,33 faz da ressurreição de Jesus, operada por Deus, o momento de dizer: “Tu és o meu filho, eu hoje te gerei”. Em Rm 1,3-4, Paulo fala daquele que era “nascido da estirpe de Davi segundo a carne, estabelecido filho de Deus com poder por sua ressurreição dos mortos, segundo o Espírito de santidade”. Em At 13,39, existe linguagem de justificação semelhante àquele das cartas paulinas”.

Obtemos o quadro de uma mensagem consistente, pregada pelas duas grandes figuras que dominam a história da Igreja primitiva, Pedro e Paulo. Há divergências entre os dois homens (Gl 2,11.14), mas, quando se trata da mensagem essencial acerca de Jesus, Paulo associa-se a Cefas (Pedro) e aos Doze (e a Tiago!) na pregação comum e no convite à fé (1Cor 15,3-11). At 13,42-43 atesta uma reação de modo geral favorável ao sermão entre os judeus e seus simpatizantes, mas At 13,44-49 mostra que, no sábado seguinte, havia oposição da parte “dos judeus”, de modo que Paulo e Barnabé voltaram seu apelo aos gentios.

A hostilidade judaica em Antioquia persiste, de modo que Paulo e Barnabé são expulsos da Pisídia e prosseguem para Icônio (At 13.51-14,5) – uma rejeição que evidentemente não os desencoraja, pois se encontram “repletos de alegria e do Espírito Santo” (At 13,52). Em Icônio, onde passam um período considerável, tanto o procedimento quanto a reação são quase os mesmos, e de novo devem continuar – desta vez para as cidades da Licaônia, Listra e Derbe (At 14,6-21ª). Em Listra, Paulo cura um aleijado de nascimento, tal como Pedro curava um aleijado de nascença em At 3,1-10 – o poder curador de Jesus, que foi transmitido a Pedro no trato com os judeus de Jerusalém, foi passado a Paulo em sua lida com os gentios.

Deste modo, o Tempo Pascal reserva uma atenção especial aos Atos dos Apóstolos por isso encontramos a perseguição que Saulo fazia a Igreja, sua conversão, quando muda o nome para Paulo, tem a ascensão de Paulo no anúncio do Evangelho, suas decepções por causa das pessoas que não queriam acolher a mensagem; sua amizade forte com Barnabé possibilitou ao grande anúncio do Evangelho, contudo o Espírito Santo pede que eles se separem para que a mensagem possa chegar ainda mais longe com a força de mais dois anunciadores em distintos lugares (At 13, 2). Que cada um de nós tenha a coragem de anunciarmos o Evangelho e que, como os Apóstolos, não tenha medo de anunciar ao mundo que Jesus é: “o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,4).

Pe. Joacir S. d’Abadia
Pároco da Paróquia São José e Adm. da Paróquia Santa Luzia
Formosa-GO


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