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quinta-feira, 9 abril, 2020 - 23:55 PM

IV Domingo da Quaresma

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“O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma” (Sl 22, 1)

Neste Quarto Domingo da quaresma nos colocamos em comunhão como todas as pessoas que padecem o flagelo da enfermidade. Embora hoje estejamos rezando a Eucaristia sem a presença do povo, nunca nos faltará a presença de Deus, Ele é o Pastor da humanidade, elo de comunhão entre todos os homens.

Providencialmente hoje cantamos na liturgia o salmo 22, com palavras que muito nos consolam. Pois nossas igrejas estão vazias, mas não estão desertas, porque no tabernáculo jaz o Senhor na Eucaristia, em corpo, alma e divindade. No silêncio nós padres continuamos rezando a missa sem a presença do povo. O Pastor não abandona nunca o seu rebanho. Cumpre sempre a sua promessa: “E eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28, 20).

Durante este tempo de excepcionalidade convém que cada família católica, no domingo, faça a liturgia da palavra com a família reunida, que acompanhem as celebrações eucarísticas pelos diversos meios de transmissão, rezem o terço, cultivem a vida e a convivência familiar. E aqueles que tem a possibilidade possam ir sozinhos até a igreja para rezar, evitando aglomeração de pessoas. Nós padres rezaremos a missa sem povo, mais em comunhão com Jesus Cristo, com a Igreja e todo o povo de Deus.

O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma” (Sl 22, 1). Não nos falta nada porque o Senhor é o nosso tudo, Ele nunca nos será tirado. Podemos perder tudo, até mesmo a vida, mas por sua graça o Senhor permanece sempre conosco e em nós. Que seja Ele a nos conduzir, não somos donos da nossa vida, nem do mundo. Esse mundo com suas aparências passa, mas os que pertencem ao Senhor vivem para sempre.

Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei” (Sl 22, 2). Agora é tempo de pedir ao Senhor a fortaleza interior e a graça da serenidade cristã, para atravessarmos estes dias tenebrosos, na certeza que o mal não tem a última palavra sobre nós. Aquele que nos deu a vida é que tem a última palavra sobre nós – Jesus Cristo.

Estais comigo com bastão e com cajado, eles me dão a segurança” (Sl 22, 2). A atitude fundamental do pastor é a presença junto às suas ovelhas. Aliás a ausência desfigura o pastor, porque a presença é constitutiva do ser pastor. Jesus Cristo é nosso pastor, e são muitos os sinais da sua presença, a Eucaristia, a Palavra, os demais sacramentos, os gestos de caridade, de amor e de cuidado, de solidariedade, de partilha, sobretudo em tempos de dificuldade.

É no Senhor que está a nossa segurança. Não são os poderosos que determinam o rumo da história. Os fatos dos últimos dias estão desmascarando a pretensão de onipotência do homem contemporâneo. Expondo diante dos seus olhos a sua fragilidade; desconstruindo a falsa ideia que o homem é capaz de construir por si mesmo um paraíso neste mundo. É no Senhor que está a nossa segurança. A salvação não é uma construção ou conquista do homem, é dom de Deus que se acolhe pela fé e se testemunha pela caridade (as obras).

Preparais à minha frente uma mesa” (Sl 22, 3). Preparar a mesa para alguém tem um duplo significado: pode ser oferta de amizade como pode ser oferta de reconciliação. Na Igreja temos uma mesa que o Senhor preparou para nós, a mesa do Seu banquete sacrifical – a Eucaristia, oferta de amizade e reconciliação. Esta mesa é a antecipação sacramental do banquete celeste que o Senhor tem preparado para aqueles que o buscam de coração sincero. Para aqueles que se deixam dominar por seu amor. Para aqueles que procuram viver como filhos da luz (cf. Ef 5, 8). Por fim, que neste tempo possamos intensificar nossas orações, a nossa caridade, a oração. Sobretudo pelos atingidos pela enfermidade e pelos profissionais de saúde. Que voltemos o coração para o Senhor, que caminha conosco, que nos guia, que nos conduz, que nos faz descansar e nos dará a graça de habitar eternamente em sua casa.

Pe. Hélio Cordeiro dos Santos
Formador do seminário maior N. S. de Fátima
Brasília – DF


Leituras: I Sm 16,1b.6-7.10-13a / Sl 22 (23) / Ef 5,8-14
Evangelho: Jo 9,1-41

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Criada em 16 de outubro de 1979, é uma circunscrição eclesiástica da Igreja Católica no Brasil, sufragânea da Arquidiocese de Brasília. Pertence à província eclesiástica de Brasília e ao Regional Centro-Oeste da CNBB.

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