“Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo” (Lc 14, 27).

Quando Jesus Cristo enviou seus apóstolos ao mundo deu-lhes uma ordem: “Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei” (Mt 28, 19). Esta é a missão da Igreja no mundo, fazer discípulos, através do anúncio de Jesus Cristo, morto e ressuscitado para nossa salvação. E através do batismo que nos faz participantes da vida divina.

Exercendo esta missão que Jesus lhe confiou, a Igreja propaga por toda a humanidade dois grandes dons: a redenção e a adoção filial. A redenção devida pelo saldo de morte gerado pelo pecado, que somente Cristo podia pagar. A adoção que nos é dada pelo batismo e nos insere na vida divina, na família de Deus, na sua herança eterna.

À Igreja cabe o poder de pregar, de anunciar na autoridade de Jesus Cristo e o poder de batizar. Afim de que os homens se abram à graça da conversão, passando das trevas à Luz, da noite para o dia, do pecado para a vida da graça, da vida fútil sem Deus, para a vida da fé, da esperança e da caridade. E assim se abram à salvação.

No evangelho de hoje Jesus indica algumas condições requeridas para aqueles que querem ser seu discípulo. A primeira condição que aparece é a do desapego: “Se alguém vem a mim, mas não se desapega de seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até da sua própria vida, não pode ser meu discípulo” (Lc 14, 26). Ser desapegado mesmo dos laços familiares, colocar Jesus no centro da nossa vida, somente nele depositar toda nossa confiança. Ser desapegado não significa deixar de amar os entes queridos, mas amá-los à partir do amor de Jesus Cristo, não permitindo que os mesmos se tornem obstáculos para seguir Jesus Cristo.
Quantos esposos (as), filhos, pais que são obstáculos para a vida de fé dos seus.

Muitas vezes dominados pela indiferença, querem arrastar os seus para o mesmo caminho, neste contexto e em qualquer outro contexto é preciso fazer prevalecer a opção por Jesus Cristo.

Outros tantos que não seguem a Jesus Cristo porque estão apegados à sua vida cômoda ou porque querem guardar com estima sua vida de pecado. Por isso olham a Jesus Cristo como um intruso que vem para lhe tirar a liberdade. Ser discípulo passa pela liberdade interior para deixar Cristo mudar a nossa vida.

O discípulo é também aquele que carrega sua cruz em comunhão com o Senhor. Sem deixar abater o ânimo diante das perseguições e incompreensões do mundo, sem se entregar diante das tentações, sem murmurar diante dos sofrimentos. Quem carrega a cruz com Cristo carrega também a vida que Nele está escondida – a Vida eterna. Que brotou para nós da sua vida entregue na cruz.
O discípulo não vive neste mundo seguindo suas próprias ideias, seus pontos de vista ou vivendo segundo o modo que a mentalidade dominante impõe. O discípulo caminha atrás do Mestre, somente Nele está nossa segurança (Lc 14, 27). É segundo o Evangelho que ele molda sua forma de viver, de pensar, de agir.

O discípulo é aquele que renúncia a tudo o que tem para ter somente a Jesus Cristo (cf. Lc 14, 33). O discípulo mesmo quando possui algum bem deste mundo não coloca neles a sua esperança, não se deixa ser possuídos por eles, devido a sua consciência de pertença a Jesus Cristo.

O alicerce do discípulo foi lançado com o sacramento do Batismo, mas a obra precisa ser completada mediante uma vida de fidelidade a Jesus Cristo. Uma vida eucarística, de oração, de confissão. Porque esta obra há de chegar à sua plenitude no reino dos céus.

Pe. Hélio Cordeiro dos Santos
Formador do seminário maior N. S. de Fátima
Brasília – DF