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           Deus é misterioso. Primeiro porque não podemos alcançá-lo em plenitude pelo simples fato dele ser Deus e nós, incapazes de compreendê-lo. Ele é infinito, e nós, continuamente assaltados pela brevidade e finitude da vida. Ele é grande, melhor, imensurável, e nós, pequeníssimas partes de um grande todo que é o universo. Deus é tudo que podemos qualificar, e nós, certamente nunca poderemos ser qualificados de modo perfeito, pois nossas “qualidades” sempre vêm acompanhadas de defeitos.

            A ação de Deus é sempre misteriosa, às vezes, até aparentemente sem sentido ou contraditória. Mas sabemos que Deus tem seus planos. E um deles é a Igreja, nossa mãe. Um filho, ainda mais quando pequeno, muitas vezes não entende certas atitudes de sua mãe, que as realiza para educá-lo. Às vezes pode até olhar para sua mãe com raiva e desprezo, se achando o dono da razão, capaz de saber o que é melhor pra si, pois afinal de contas, nós sempre pretendemos ser donos de nós mesmos, conhecendo o que devemos fazer para o nosso próprio bem.

            Muitas vezes, somos filhos rebeldes que sempre têm razão naquilo que dizem e fazem. É cada vez mais comum vermos pessoas, até mesmo “de dentro” da Igreja, achando que sabem mais do que ela. E assim, acabam tomando as rédeas da própria vida, esquecendo-se que Deus usa de Sua Igreja, esta misteriosa Mãe para nos educar. Educar-se nem sempre é algo fácil. Na maioria das vezes exige sacrifício. E ninguém quer se sacrificar.

            A Igreja será sempre um mistério. Não a entendemos completamente, como o filho não entende a suposta má atitude da mãe. O filho pode duvidar da sabedoria materna, mas nunca duvida do amor de sua mãe. Amar a Igreja nem sempre significa compreendê-la, mas sempre consistirá em saber escutá-la. Escutar a Igreja é escutar a Cristo. O amor aos membros da Igreja não determina o nosso amor a Cristo, mas pelo contrário. A medida em que amamos a Cristo e o escutamos é a mesma medida que determina o nosso amor aos membros de Seu Corpo místico. Cristo não é da Igreja, é a Igreja que é dele. Cristo não deve obediência a Igreja, é ela que deve obedecê-lo. E Igreja somos todos nós. Amemos mais a Cristo para amarmos melhor a Igreja.

Ozias Xavier – Seminarista do 1º ano de Teologia