Nos tempos atuais temos visto que, mais uma vez, os cristãos, em várias partes do mundo (China, Índia, Síria, Coreia do Norte, vários países da África e Oriente Médio) são chamados a dar testemunho de sua fé com o derramamento de seu próprio sangue. A isto chamamos de martírio vermelho. Perseguições sistemáticas em função da ideologia comunista que é anticristã ou ainda o fanatismo religioso. Milhares de cristãos têm deixado suas casas na Síria e se refugiado em outros países vizinhos.

Na China o comunismo impede que pessoas com menos de 18 anos sejam catequizadas. Caso alguém ouse desafiar esta lei é condenado à morte. Então muitos enfrentam situações onde sua fé pode custar-lhes a vida. Mas ainda assim preferem a morte a renunciar sua fé em Jesus Cristo. Fico pensando se o mesmo ocorresse no Brasil, seriam muitos os católicos a não renegarem a sua fé? Digo isto porque os terroristas ofertam aos cristãos capturados a “chance” de renunciar à fé cristã e aderir ao Islamismo e aí suas vidas são poupadas. Então é que me vêm à cabeça a ideia de pensar quanto brasileiros permaneceriam firmes na fé. Como os 21 cristãos martirizados há alguns dias atrás; foram mortos invocando o Santíssimo Nome de Nosso Senhor Jesus. Não escolheram a opção de renegar o Salvador para se converter a outra religião. Bom, talvez não precisemos chegar a tal ato. Apesar de aqui também sofrermos perseguições, sermos alvos de piadas de blasfemadores como os humoristas do grupo Porta dos fundos, ainda assim somos livres para escolher nossa religião. Então fica-nos o desafiante chamado ao martírio branco. Mas o que é isso mesmo?

São João Paulo II, Papa, escreveu um diário espiritual e recentemente foi publicado com o nome: João Paulo II: estou nas mãos de Deus – Editora Planeta. Neste livro ele nos explica o que é exatamente o martírio branco: “martírio sem derramamento de sangue, em meio às perseguições”. Talvez a maioria dos católicos tenham, muitas vezes em sua existência, oportunidades para viver o martírio branco, então que tal começar a aproveitar essas oportunidades? Vejamos algumas. Ser sereno diante de uma dor ou doença, tolerar e tentar compreender as pessoas difíceis de se conviver, levar esperança diante de pessoas que estão na escuridão, ser o porto seguro para uma criança, resistir as tentações, sorrir para fazer brotar o sorriso no rosto dos outros, tentar ser verdadeiro sempre, envelhecer com ternura e deixar a rabugice de lado, praticar a justiça e a honestidade mesmo sem levar vantagens com isto, procurar não se irritar no trânsito, cumprir com os horários, deixar de fazer as muitas coisas do dia-a-dia que parecem tão importantes para se dedicar por algum tempo a ouvir pessoas que estão esquecidas ou abandonadas.

Um bom exemplo disto é visitar hospitais, asilos, orfanatos, casas de pessoas idosas que sofrem o desprezo da família. Poderia ainda nomear muitas outras atitudes, mas basta pensarmos que no decorrer do dia podemos encontrar as ocasiões de deixar morrer nossas vontades para viver uma vontade mais sublime: o amor ao próximo.

Por Bruno Salles