Identidade cristã

O Papa Francisco tem apontado constantemente as falhas e as consequências do relativismo no qual os cristãos estão inseridos, e a necessidade dos seguidores de Cristo, sobretudo, os católicos, de ser sal na terra e assim dar sabor, e não se misturar às realidades mundanas a tal ponto que se perca o sabor tornando-se insosso, por isso, não servindo para mais nada, exceto para virar “brinquedo do mundo”.   

De fato os católicos devem, ou pelo menos deveriam ser diferentes, frente ao constante embate com tudo aquilo que constantemente tem ido de encontra à fé, bons costumes, moral, religião, sã amizade, enfim, tudo aquilo que a realidade humana pode oferecer de auxílio para a vida, tendo em vista a vida eterna.

O Papa em um discurso no dia 09 junho falou exatamente da necessidade dos católicos de terem uma identidade cristã: «A liturgia de hoje fala-nos da identidade cristã» frisou Francisco, propondo a questão central: «Qual é esta identidade cristã?». Referindo-se à primeira a leitura de 2 Cor 1, 18-22, o Papa recordou que «Paulo começa narrando aos Coríntios às situações que viveram, algumas perseguições», e «o testemunho que deram de Jesus Cristo». Praticamente, escreve-lhes: «Sinto-me orgulhoso disto – isto é, orgulho-me da minha identidade cristã – que aconteceu assim. E Deus é testemunha de que quando vos dirijo a palavra, é um “sim”, isto é, revelamos qual é a nossa identidade».

Não é difícil perceber que os católicos sofrem hoje, sobretudo, uma crise de identidade, uma vez que, é mais fácil aderir aquilo que é rápido e quase que instantâneo; dinheiro, fama, poder, prazer, honra e tantas outras realidades, que quando profundamente aproveitadas, passam a “tomar um lugar” no coração do humano, ao qual somente Deus pode verdadeiramente saciar.

O Papa Francisco em uma audiência no Vaticano no dia 06 junho surpreendeu alguns jovens ao afirmar que já faz algum tempo que não assiste televisão, exatamente 25 anos. Disse o Papa:

“Uma noite, a meados dos anos 90, senti que [a televisão] não me fazia bem, alienava-me, condicionava-me… e decidi deixar de vê-la. Quando queria ver um filme bom, ia ao centro televisivo do arcebispado e o via-o lá. Mas, via só aquele filme… A televisão, ao contrário, alienava-me e impelia-me para fora de mim; não me ajudava. Sem dúvida, ‘sou da Idade da Pedra, sou antigo’! Compreendo que o tempo mudou! Agora vivemos no tempo da imagem. E isto é muito importante. Mas, no tempo da imagem, deve-se fazer como no tempo dos livros: escolher as coisas que me fazem bem! Daqui seguem-se duas coisas. Primeira: a responsabilidade que têm os centros televisivos de produzir programas que façam bem, que promovam os valores, que construam a sociedade, que nos façam crescer, e não nos degradem; e ainda, produzam programas capazes de nos ajudar para que os valores, os verdadeiros valores, se tornem mais fortes e nos preparem para a vida. Esta é a responsabilidade dos centros televisivos. Segunda coisa: saber escolher os programas, e esta é uma responsabilidade nossa. Se vejo que um programa não me faz bem, destrói-me os valores, torna-me vulgar, resvalando mesmo na obscenidade, devo mudar de canal. Como se fazia na minha ‘Idade da Pedra’: quando um livro era bom, você o lia; quando um livro te fazia mal, jogava-o fora. Mas há ainda um terceiro ponto: a fantasia nociva, aquela fantasia que mata a alma. Você que é jovem, se tu vives preso ao computador e te tornas escravo do computador, perdes a liberdade! E, se procuras no computador programas sujos, perdes a dignidade! Ver a televisão, usar o computador, mas para as coisas belas, as coisas grandes, as coisas que nos fazem crescer. Isto é bom”.

Portanto, o papa tenta mostrar, que é possível viver no mundo como cristão sem aderir a  tantas ideologias presentes na sociedade contemporânea: gênero, aborto, relativismo, ceticismo, e tantas outras realidades que podem comprometer a vida dos católicos no mundo, mas para combater tal realidade, o Papa parece indicar aos povos que: enquanto o evangelho não cair no coração humano e frutificar, consequentemente qualquer trabalho humano sem Deus está destinado ao “fracasso”.

Por Sem. Kennedy Ferreira