Posse, 11 de outubro de 2026
XXVIII Domingo do Tempo Comum – A
Leituras: Is 25, 6-10/Sl 22 (23)/ Fl 4, 12-14.19
Evangelho: Mt 22, 1-14
“Vinde para a festa” (Mt 22, 4)
O evangelho é um convite para a verdadeira festa – a comunhão como Senhor – antecipada na Eucaristia e orientada para sua plenitude no céu. Sendo um convite: “Vinde para a festa!” (Mt 22, 4). Temos a liberdade de aceita-lo ou de rejeitá-lo. Contudo, se aceitamos este convite para a festa da salvação não basta termos sido convidados e ir à festa, é preciso nos preparar para ela.
Ninguém, em sã consciência vai a uma festa de qualquer jeito. Muito menos poderíamos entrar na comunhão como Senhor de qualquer jeito. Vejamos que a imagem da festa de casamento proposta na parábola nos ajuda a evidenciar que existem três tipos de convidados: os que “não deram a menor atenção” ao convite recebido; os que aceitaram o convite, mas fizeram pouco caso, indo por ir, de qualquer jeito, sem o ‘traje de festa’; e os que aceitaram o convite e se preparam para a festa. Cada um destes representa o homem diante do convite de Cristo a segui-Lo pelo caminho da fé, da esperança e da caridade.
Os primeiros convidados os que não deram a menor atenção ao convite, o fizeram por considerar que havia algo mais importante do que a festa: o campo, a chácara, a fazenda, os negócios, ou a simples indiferença. Se fosse em nosso tempo poderíamos acrescentar: a fama, a rede social, o jogo, os vícios. Ou seja, estes consideram que Cristo não é uma prioridade, como tristemente na vida de muitos irmãos.
Os que se encontram nesta primeira condição são também destinatários da salvação em Cristo, mas seus corações estão por demais presos a este mundo, ao ponto de impedir-lhes que levantem o olhar para as coisas do alto. Seus corações estão voltados somente para o que é temporal, não conseguem perceber o que é eterno; suas mãos estão aptas para se apegar ao que é passageiro, enquanto seus corações se veem incapazes de inclinar-se para o que permanece; seus olhos se encantam com as aparências, sem jamais conseguir ser atraído para a realidade. Porque a realidade por excelência é Deus.
No segundo grupo situam-se aqueles que aceitam o convite: “Vinde para a festa!”, mas não se preparam para a festa, vão com o traje qualquer, ou seja, com a alma desnuda. Estes são aqueles que aceitam o evangelho com a boca, mas não permitem que Ele mude suas vidas; são aqueles que dizem sim a Cristo com a boca, mas O negam com a vida. Entre estes se encontram aqueles que vão à missa, rezam, mas quando passam alguma dificuldade de saúde, de trabalho, uma crise familiar ou outra tribulação se curvam diante do primeiro ídolo que aparece, enveredam pela primeira proposta de solução que se apresente, mesmo que seja abertamente contrária à fé. Estes diante da tribulação abandonam a fé sem pestanejar.
Os primeiros nem sequer entraram na festa, estes que entraram sem o traje festivo serão arrancados e jogados fora. Podemos enganar aos homens, a nós mesmos, mas não a Deus. Aqui é preciso ressaltar que o modo como vivemos a fé, a Santa missa, os sacramentos, a oração; o modo como vivemos, como pensamos como agimos, revela o nível do nosso comprometimento com Cristo. Se vivemos tudo isso de qualquer jeito, sem zelo, sem amor, sem preparação interior e exterior, não compreendemos a grandeza espiritual dos tesouros da fé: da Santa Missa, da oração, da Palavra de Deus, dos sacramentos, da Igreja, da comunidade.
Por último, encontram-se aqueles que foram convidados, aceitaram o convite e se preparam para a festa. A estes estão reservadas a vida imperecível, a vida em plenitude, a festa, a amizade, o convívio, a saciedade, a partilha, a comunhão que somente experimentarão aqueles que compreenderam que Cristo é seu maior tesouro, que viver em comunhão com Ele é a maior de todas as alegrias.
Agora o convite está posto para todos, maus e bons: “Vinde para a festa!” Aos maus para que se convertam das suas maldades, dos seus pecados, da impiedade, para que se tornem bons, para que possam afastar-se do mal e voltar-se para Deus. Aos bons para que se conservem no bem, para que permaneçam no Senhor. Mas, na festa das núpcias eternas, somente entrarão aqueles que se deixaram convencer pelo bem, pela verdade, pela justiça, pelo amor.
Homilia redigida pelo Pe. Hélio Cordeiro, Pároco da Paróquia Sant’Ana em Posse (GO)




