Posse, 12 de abril de 2026
II Domingo da Páscoa – A
Leituras: At 2, 42 – 47/ Sl 117 (118)/ IPd 1, 3-9
Evangelho: Jo 20, 19-31

Fomos feitos para a vida, não para a morte

Continuamos a celebrar a alegria da vitória pascal do Senhor sobre o pecado e a morte. O que faz ecoar sobre a criação inteira que fomos feitos para a vida, não para a morte, mas esta vida somente podemos encontra-la em Cristo, nossa esperança. Como se faz oportuno esta verdade, neste contexto de guerras, de banalização da morte e da violência tão presentes em nosso tempo. Que revelam que os senhores deste mundo são senhores da morte, mas somente um é O Senhor da vida – Jesus Cristo Nosso Senhor.

Queira Deus que nesta páscoa muitos senhores da morte, que massacram outros povos ou seu próprio povo, se sintam atraídos e se deixem converter pelo Senhor da vida, Aquele que nos comunica o dom da paz. Mas não somente eles também nós somos chamados a nos converter a Cristo, a aceitar o Senhor e seu projeto de amor, vida e salvação. Não basta dizer que somos cristãos, que aceitamos o Senhor, é preciso aparecer na vida dos fiéis os sinais de que realmente nos convertemos a Cristo.

A primeira leitura de hoje, dos Atos dos apóstolos, enumera quais são os sinais presentes na vida de quem realmente se converteu a Cristo. Estes são perseverantes: em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão, nas orações, são cheios do temor de Deus, são perseverantes na partilha dos bens (cf. At 2, 42-43).

Quando alguém está contente, feliz, se pode ver os sinais no seu rosto sereno e sorridente, quando alguém se converte a Cristo não poderia ser diferente, os sinais da sua conversão devem aparecer na sua vida, como ressalta a Palavra de Deus: “Os que haviam se convertido eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna na fração do pão e nas orações…” (At 2, 42).

Além destes pilares irrenunciáveis da vida cristã ainda é preciso acrescentar que quem se converteu ao Cristo é também um portador de paz, um dos frutos da ressurreição do Senhor. O Senhor ressuscitado ao aparecer aos seus discípulos após a sua ressurreição lhes dirigiu esta saudação: “A paz esteja convosco” (Jo 20, 19 ).

De fato, a paz estava com os discípulos, uma vez que Cristo é a paz, o Príncipe da paz. Como discípulos do Senhor somos chamados a fazer ecoar neste mundo de guerras, de injustiças tantas, esta saudação do Senhor “A paz esteja convosco”.

Esta saudação goza de uma atualidade impressionante, pois o mundo precisa de homens, de líderes, de governantes, de juristas e de toda classe de profissionais e de pessoas que sejam promotoras da paz. Contudo, uma paz que seja fundada na justiça e na verdade, da qual Cristo Nosso Senhor é o fundamento.

Do lado de fora de onde os discípulos se encontravam estavam soldados vociferando ameaças de perseguição e de morte, o que parece contradizer a saudação do Senhor: “A paz esteja convosco”. Mas esta contradição é apenas aparente, pois a paz que o Senhor nos comunica é dom da sua presença viva, que nos sustenta mesmo nas perseguições, lutas, dificuldades, medos. O Senhor é a nossa paz, a paz dos que creem, dos que se converteram a Cristo.


Homilia redigida pelo Pe. Hélio Cordeiro, pároco da Paróquia Sant’Ana em Posse (GO)