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sábado, 11 julho, 2020 - 06:00 AM

Solenidade de Pentecostes

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Deus é a língua comum que une a diversidade dos homens entre si no seu Espírito Santo

A celebração da Solenidade de Pentecostes leva “à plenitude os mistérios pascais” (Prefácio) com o envio do Espírito Santo sobre os discípulos. Espírito que é santo porque santifica e é Deus que é santo e permanece nos seus santos para gerar comunhão. Afim de que possam falar e se entender em sua própria língua – a da comunhão, a da caridade na mesma fé e na mesma esperança. Por isso, Pentecostes é a antítese de Babel (Gn 11,1-9).

O Livro do Gênesis apresenta a experiência de Babel como uma unidade de povos numa mesma língua: “Eis que todos constituem um só povo e falam uma só língua” (Gn 9,6). Uma unidade constituída unicamente pelo esforço humano, por sua própria iniciativa à despeito de Deus. O que parecia ser uma grande conquista. Porém, se o homem fosse capaz de gerar comunhão sem a presença de Deus, ele chegaria à conclusão que não precisa de Deus, alimentando a ideia que ele basta a si mesmo.

Vendo a soberba e autossuficiência de Babel Deus decide: “Confundamos a sua linguagem para que não mais se entendam uns aos outros” (Gn 9,7). Na verdade trata-se de uma metáfora, não é que Deus não se agrade da comunhão entre os homens. É que os homens sem o Espírito de Deus não são capazes de viver em comunhão entre si. Ao contrário da mentira que o mundo secularizado prega, acusando Deus, o Cristianismo de ser causador de divisão.

Babel retrata bem o cenário do mundo contemporâneo, também desejoso de viver em comunhão, de construir uma unidade globalista entre os povos. Porém, com a completa exclusão de Jesus Cristo, da sua Igreja, do seu Evangelho. Babel continua em nossos dias, porque também os poderosos do nosso tempo têm a pretensão de construir uma comunhão global dos homens e das nações entre si com a exclusão de Deus.

Por isso, Pentecostes é um evento sempre atual para nos lembrar que uma comunhão dos homens entre si sem Deus é um projeto falido, impossível. Os homens somente são capazes de viver em comunhão entre si se estiverem em comunhão com Deus vivo e verdadeiro, no seu Espírito. É o envio do seu Espírito Santo que torna os homens de diferentes línguas e nações a se entenderem em sua própria língua.

A língua comum da comunhão entre os homens é a da mesma fé, da mesma caridade e da mesma esperança, fundada num mesmo batismo. “Fomos batizados num único Espírito, para formarmos um único corpo” (ICor 12,13). Embora haja muitos que apostatam do seu batismo fazendo-se ‘rebatizar’ e abandonam a Igreja para seguir doutrinas estranhas que promovem confusão e divisão. Como se pode ver há um único batismo, um único Espírito, um único corpo de Cristo (a Igreja), um só Deus.

A experiência da divisão entre os que creem em Jesus Cristo é uma ferida aberta, um escândalo, resultado do orgulho e da soberba humana. Diante da qual não podemos nos contentar e acomodar. Para tal precisamos clamar ao Senhor a efusão do seu Espírito Santo para que possamos conhecer o Deus vivo e verdadeiro e que sejam reunidos “numa só fé, a diversidade das raças e línguas”. Que o Espírito Santo nos faça promotores da comunhão na Igreja e no mundo, afim de que o mundo creia.

Que o evento de Pentecostes nos leve a compreender que a comunhão entre os homens e as nações não é uma conquista nossa a Despeito de Deus. A comunhão é dom de Deus, dom do seu Espírito para sua Igreja e para o mundo. Sem Deus não poderá existir autêntica e duradoura comunhão entre os homens. Porque a unidade de Deus é o caminho pelo qual a diversidade dos homens, nações e línguas podem viver em comunhão entre si. Numa palavra, Deus é a língua comum que une a diversidade dos homens entre si no seu Espírito.

Pe. Hélio Cordeiro dos Santos
Formador do seminário maior N. S. de Fátima
Brasília – DF


Leituras: At 2,1-11 / Sl 103 (104) / I Cor 12,3-7.12-13
Evangelho: Jo 20,19-23

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