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sábado, 11 julho, 2020 - 05:04 AM

Solenidade dos Apóstolos Pedro e Paulo

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Jesus Cristo é a nossa autêntica liberdade

Os santos são amigos de Deus, amigos e irmãos dos seres humanos, inimigos do mal e do pecado. São aqueles que encontraram em Jesus Cristo sua real liberdade. Liberdade esta que cadeia ou escravidão alguma pode nos roubar, como podemos ver no exemplo das duas grandes colunas apostólicas da Igreja: São Pedro e São Paulo, cuja solenidade celebramos hoje.

A liberdade dada por Jesus Cristo aos seus santos discípulos é uma liberdade mantida pelo empenho sincero em corresponder à sua graça. Bem como, sustentada pela oração, sobretudo quando os poderes mundanos se levantam contra os que são de Cristo, contra a sua Igreja. Como vemos testemunhado na primeira leitura da missa de hoje: “Enquanto Pedro era mantido na prisão, a Igreja rezava continuamente a Deus por ele” (At 12, 5).

De modo muito sutil o texto sagrado não diz que Pedro estava preso, mas que ele “era mantido na prisão”. Isto para afirmar que quem pertence a Jesus Cristo pode até ser mantido na prisão, mas nunca estará preso por grilhão ou escravidão alguma. Porque cadeia alguma pode roubar a liberdade dos que pertencem a Jesus Cristo. Aqui vale recordar uma cena do filme “As sandálias do pescador”, na qual aparece o personagem Kiril sendo libertado, depois de anos numa prisão comunista russa. O encarregado de soltá-lo diz a Kiril, ao tirá-lo da prisão: “Agora você está livre!” Ao que Kiril responde categoricamente: “Eu nunca estive preso!”

É assim, os que experimentam a liberdade vinda da sua pertença a Jesus Cristo, nunca mais serão prisioneiros de nada. A não ser que venham a abandonar a sua fé. Porque Ele nos liberta de todos os temores, como canta o salmista: “De todos os temores me livrou o Senhor Deus” (Sl 33). Ou ainda: “Este infeliz gritou a Deus e foi ouvido, e o Senhor o libertou de toda angústia”. Ou como São Paulo reconhece: “Eu fui libertado da boca do leão” (IITm 4,17). Ou como São Pedro: “Agora sei, de fato, que o Senhor enviou o seu anjo para me libertar do poder de Herodes e de tudo o que o povo judeu esperava!” (At 12,11).

Diante de tão expressivos testemunhos não podemos hesitar em afirmar: Jesus Cristo é nossa autêntica liberdade! Assim, a fé cristã se revela como o verdadeiro caminho de liberdade e de libertação. Somos chamados a depositar aos seus pés tudo que nos escraviza e aprisiona, afim de seguir um novo caminho.

Quem não encontrou o Senhor, quem não o acolhe na fé, pode até estar livre, mas não tem liberdade. De modo que o paganismo, o ateísmo, a idolatria, as falsas religiões, o consumismo, são desvios de homens supostamente livres, mas que não tem liberdade, porque Jesus Cristo é nossa autêntica liberdade. Logo tais propostas jamais serão um autêntico caminho de liberdade para o ser humano, antes são desvios que escravizam o homem.

A liberdade em sentido pleno somente podemos encontrar em Jesus Cristo: “Caminho, verdade e vida” (Jo 14,6). Quem O encontrou pela fé e se decide por segui-Lo é liberto de todas as prisões. À semelhança dos apóstolos São Pedro e São Paulo. São Pedro foi libertado, pelo Senhor, dos seus medos, da sua impulsividade, da sua falta de fé. São Paulo foi libertado, pelo Senhor, da sua soberba intelectual, do seu farisaísmo hipócrita e violento, passando do Saulo, prisioneiro das amarras culturais, religiosas e políticas do seu tempo, para ser Paulo; Apóstolo das gentes, livre no Senhor. Como ele próprio afirma: “Foi para a liberdade que Cristo nos libertou!” (Gl 5,1).

Destarte, a Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica, a Igreja de Jesus Cristo, é a comunidade dos homens autenticamente livres, dos que gozam da liberdade no Senhor. Somente o Senhor pode nos libertar de todas as prisões, de tudo aquilo que nos escraviza.

Em nosso tempo, quantos homens ‘livres’, mas que não tem liberdade. Vivem escravizados pela mentira, pela banalidade dos costumes pervertidos, pela ambição, pelas coisas, pelo dinheiro, pelo sexo, pela ditadura da aparência, pelas drogas, pelas ideologias. Jesus Cristo pode nos libertar de tudo isso, e nos dar a autêntica liberdade: “Se, pois o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres” (Jo 8,36).

A fé católica e o caminho dos homens autenticamente livres, dos que fizeram de Jesus Cristo a sua liberdade. Enquanto que a liberdade dos que rejeitam o Senhor é aparente. O caminho do homem sem Cristo é um caminho de escravidão. Quem se perde de Jesus Cristo, perde a sua liberdade. Somente Ele é “caminho, verdade e vida”. Ele, somente Ele, é nossa liberdade e salvação. Assim, como libertou Pedro e Paulo dos seus grilhões, Ele pode nos libertar: do medo, do pecado, da falta de fé, da frieza na fé, da superficialidade e falta de compromisso com o evangelho, da violência, da enfermidade, do sofrimento e mesmo da morte, porque Ele ressuscitou. Nem as cadeias da morte o detiveram. “Cristo nos liberta de todas as prisões” (CF 1997).

Pe. Hélio Cordeiro dos Santos
Formador do seminário maior N. S. de Fátima
Brasília – DF


Leituras: At 12,1-11 / Sl 33 (34) / IITm 4,6-8.17-18
Evangelho: Mt 16-13-19

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Criada em 16 de outubro de 1979, é uma circunscrição eclesiástica da Igreja Católica no Brasil, sufragânea da Arquidiocese de Brasília. Pertence à província eclesiástica de Brasília e ao Regional Centro-Oeste da CNBB.

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