Posse, 22 de março de 2026
V Domingo da quaresma – A
Leituras: Ez 37, 12-14/ Sl 129 (130)/ Rm 8,8-11
Evangelho: Jo 11, 1- 45
“Os que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus” (Rm 8, 8).
Como consequência do pecado o homem carrega uma ferida de morte na forma de uma divisão interior cuja consequência é a tentação de uma vida em aberta oposição ao Espírito Santo que nos foi dado no batismo. Viver segundo a carne é submeter-se às más inclinações, procurando satisfazer suas vontades e desejos, mesmo quando estas se opõem abertamente aos mandamentos da Lei de Deus. Quanto a isso adverte a Palavra de Deus: “Os que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus” (Rm 8,8). Uma verdade por demais esquecida em nossos dias, na qual o homem perdeu o temor de Deus.
Do ponto de vista da fé católica, aquele que vive segundo a carne, em situações objetivas de pecado, sem arrependimento, está espiritualmente morto. À luz do evangelho, morto é aquele que se separou de Jesus devido ao pecado, para servir à carne, ou seja, para viver segundo suas paixões e inclinações más. Certo que somos todos pecadores, mas o Senhor nos convida a não viver conformados com o pecado que nos assola.
Todo aquele que houve a voz de Jesus e obedece, à exemplo de Lázaro, encerrado no seu túmulo, levanta-se da morte, sai da sepultura, da paralisia dos seus pecados e volta a viver. O pecado é como um túmulo escuro e fétido, no qual o homem se separa da comunhão com Cristo para viver subjugado aos seus instintos mais baixos. Uns se deixam escravizar pelo adultério, pela luxuria, pela pornografia, pela sodomia, pela fornicação; outros se deixam escravizar pelo roubo, pela mentira, pela jogatina pelo ódio, pela violência, pela ambição, pela incredulidade, pelas falsas doutrinas. Os que vivem assim não podem agradar a Deus (Rm 8, 8).
A todos os estes o Senhor quer arrancar do túmulo, chamando-os à graça da conversão, convidando-os a passar da servidão da carne a uma vida que seja agradável a Deus. Se esta disposição não nos acompanha não faz sentido algum estar na Igreja. Uma vez que nos tornamos discípulos de Cristo e estamos na Igreja não para viver de modo agradável a nós, mas para viver de modo agradável a Deus. A pertença a Igreja comporta uma submissão a Cristo e ao seu evangelho.
Lamentavelmente muitos grupos ideológicos, que defendem estilos de vida abertamente contrários ao evangelho, querem impor à Igreja um silêncio iníquo diante de situações de pecados, de comportamentos indignos, que clamam aos Céus, inclusive dentro do Culto Divino. Ora, a Igreja não pode deixar de anunciar: “Não vos iludais; de Deus não se zomba. O que o homem semear, isso colherá: quem semear na sua carne, da carne colherá corrupção; quem semear no espírito, do espírito colherá a vida eterna” (Gl 6, 7-8).
Vivemos num contexto cultural no qual as mais terríveis ofensas a Deus se multiplicam, pois muitos estão escravizados pela carne, já perderam completamente o horizonte de vida eterna e a sensibilidade diante do que é sagrado. Por exemplo quantos pessoas que veem às missas com modas impróprias, impudicas. Os que assim vivem apenas estão preocupados em satisfazer suas vontades e desejos. Ou seja, vivem para si mesmos não para Cristo.
Ao contrário, os que vivem segundo o Espírito procuram, em tudo, agradar a Deus: nas palavras, no pensar, no agir no vestir nos negócios na vida comunitária e familiar. O Senhor quer nos tirar das sepulturas e trazer-nos novamente a vida: “Ó meu povo, vou abrir as vossas sepulturas e conduzir-vos para a terra de Israel” (Ez 37, 12). Ou ainda: “Lázaro, vem para fora!” (Jo 11, 43). É o Senhor nos convidando a uma vida nova, a deixar para trás a escravidão da carne para viver segundo o Espírito, abandonar o que não convém ao cristão; deixando para trás a preocupação de agradar aos homens, passando a viver de modo agradável a Deus.
Homilia redigida pelo Pe. Hélio Cordeiro, Pároco da Paróquia Sant’Ana em Posse (GO)




