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sábado, 15 agosto, 2020 - 08:07 AM

XVII Domingo do Tempo Comum

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Onde Deus habita?

Em dado momento os discípulos questionaram o Senhor: “Mestre onde moras?” (Jo 1,38). O que revela que o homem tem necessidade de saber onde Deus habita. A antífona da missa de hoje nos dá algumas pistas: “Deus habita em seu templo santo, reúne seus filhos em sua casa”.

Deus habita ‘em seu templo santo’. Mas quem é o templo santo de Deus? São Paulo nos responde: “Acaso não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (ICor 3,16). Deus habita em nós como num templo, o homem é a morada de Deus. O homem é chamado a ser a morada santa de Deus.

Santo Agostinho intuiu isto com muita precisão, nas suas Confissões, ao dizer: “Eis que habitavas dentro de mim e eu te procurava fora! Eu, disforme, lançava-me sobre as belas formas das tuas criaturas. Estavas comigo, mas eu não estava contigo”. Deus, na sua bondade digna-se a habitar em nós. Embora, tantas vezes o contristemos com o nosso pecado.

Deus santifica a morada na qual Ele habita. É Deus quem nos santifica. Somos seu templo, somos sua morada, daqui deriva a exigência de santidade. Deus habita em nós, por sua graça, para que na vida futura, possamos habitar em Deus, habitar no seio da Trindade. Deus nos constituiu sua morada, mas Ele é nossa morada santa, nossa morada futura.

Somos o templo no qual Deus habita, templo que não foi construído por mãos humanas: “O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mão humana” (At 17,24). Deus nos criou, Deus nos fez com suas próprias mãos para sermos a sua morada. Deus é o construtor da sua própria morada.

Disto deriva consequências muito sérias. Se somos templos de Deus, com que zelo devemos cuidar deste templo que somos nós e que são os outros? A morada de Deus não pode ser profanada nem pela violência, pelo abuso, pelo pecado, pelos excessos, pelo abandono. Não se pode depredar este templo com as manchas dos vícios. Antes, precisamos orná-los com as pérolas das virtudes.

Deus é a morada digna para os homens, mas nós, os homens, nem sempre nos fazemos moradas dignas de Deus. Nos esquecendo que, se Deus não habita em nós não temos vida. Porque Ele é a vida que habita em nós. Como sintetiza a antífona da missa de hoje: “Deus habita em seu templo santo, reúne seus filhos em sua casa”. Deus habita em nós e no meio de nós no Verbo encarnado: “E o verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14).

Por fim, nesta vida, somos o templo santo de Deus. Na vida futura Deus reunirá na sua casa os filhos Seus. Nós somos morada de Deus, Ele é a nossa casa. Esta vida, para os filhos de Deus, é uma peregrinação para Deus, para nossa morada eterna. Mas enquanto somos peregrinos, não podemos nos furtar do cuidado, do zelo, do amor para com o templo santo de Deus que é cada pessoa humana. Pois agredir o ser humano, em qualquer fase da sua vida, tratá-lo com desprezo, com violência, explorá-lo, é vilipendiar a habitação de Deus. Sobretudo quando este se encontra vulnerável: no seio materno, enfermo, idoso, pobre, estrangeiro, órfão, desempregado, viúva… Aí podemos encontrar a Deus. Desprezar estes pequenos é desprezar a realidade na qual Deus habita.

Pe. Hélio Cordeiro dos Santos
Formador do seminário maior N. S. de Fátima
Brasília – DF


Leituras: 1Rs 3,5.7-12 / Sl 118 (119) / Rm 8,28-30
Evangelho: Mt 13,44-52

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