Mensagem de Dom Adair para a Páscoa de 2026

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DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES

BISPO DE FORMOSA – GO

CARTA PASCAL AO POVO DE DEUS

“Por que procurais entre os mortos aquele que está vivo? Ele não está aqui. Ressuscitou!” (Lc 24,5-6)

Amados irmãos e irmãs, Povo santo de Deus que peregrina na Diocese de Formosa, “Fiat voluntas tua”.

01.Com grande alegria pascal, dirijo-me a todos vós — sacerdotes, diáconos, religiosos e religiosas, seminaristas e fiéis leigos — para anunciar, mais uma vez, o centro da nossa fé: Cristo ressuscitou verdadeiramente! Aleluia!

02.A Páscoa do Senhor não é apenas uma memória, mas um acontecimento vivo e atual que transforma a história. Como nos ensina o Novo Testamento: “se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa fé” (cf. 1Cor 15,14). Mas Ele ressuscitou, e, por isso, tudo ganha novo sentido: a dor não tem a última palavra, o pecado foi vencido, e a morte foi derrotada.

03.A liturgia da Igreja, especialmente na Vigília Pascal, faz-nos mergulhar profundamente neste mistério. Na noite santa, ouvimos a grande história da salvação, desde a criação até a redenção em Cristo. As orações eucológicas desta Vigília proclamam com beleza: “Ó noite verdadeiramente feliz, que uniu o céu e a terra, o homem e Deus!” (Exsultet, Missal Romano, Vigília Pascal). A Páscoa é, portanto, o ponto culminante de toda a economia da salvação.

04.A antiga homilia do Sábado Santo, atribuída a um autor desconhecido, nos oferece uma imagem profundamente teológica e espiritual: Cristo desce à mansão dos mortos para libertar Adão, tomando-o pela mão e dizendo: “Desperta, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará” (Homilia antiga para o Sábado Santo, Ofício de Leituras).

05.Também os Padres da Igreja nos ajudam a compreender este mistério. Santo Agostinho afirma: “A ressurreição do Senhor é a nossa esperança” (Sermão 261,1). São Basílio Magno recorda que, em Cristo, a humanidade passa “da morte para a vida e da corrupção para a incorruptibilidade” (cf. Homilia sobre a Santa Páscoa). Na tradição oriental, a Ressurreição é celebrada como triunfo cósmico: Cristo rompe as portas do Hades e inaugura uma nova criação. A liturgia oriental canta com júbilo: “Cristo ressuscitou dos mortos, pela morte venceu a morte!” (Tropário Pascal da tradição bizantina).

06.Papa Bento XVI recorda-nos que a Ressurreição não é um mito nem uma ideia, mas um acontecimento real que irrompe na história e a transforma, sendo “como uma explosão de luz, uma explosão do amor que dissolve as cadeias do pecado e da morte” (Homilia da Vigília Pascal, 15 de abril de 2006).

07.Caríssimos, a liturgia da Igreja é o lugar privilegiado onde este mistério se torna presente e operante. Toda a vida litúrgica converge para a Páscoa e dela brota (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 1168). Por isso, somos chamados a redescobrir a centralidade da liturgia em nossas comunidades, celebrando com fé, dignidade e fervor os santos mistérios.

08.Neste tempo pascal, exorto-vos a viver intensamente as graças que dele brotam. Que seja um tempo de renovação espiritual, de reconciliação, de prática concreta da caridade, de retorno sincero ao Senhor. Que nossas paróquias, comunidades e famílias sejam verdadeiros sinais da vida nova que Cristo nos conquistou.

09.Dirijo-me de modo especial aos sacerdotes, para que sejam testemunhas ardorosas da Ressurreição, anunciadores do querigma com renovado entusiasmo. Aos religiosos e religiosas, para que sua vida consagrada seja sinal luminoso da vida futura. Aos seminaristas, para que se preparem com generosidade para o serviço da Igreja. E a todos os fiéis leigos, para que vivam sua vocação no mundo como fermento de esperança e transformação.

10.Neste ano em que nossa Diocese vive de modo especial a dimensão da evangelização querigmática, em preparação para o jubileu dos 50 anos de sua criação, a Páscoa nos impulsiona ainda mais à missão. Somos chamados a anunciar, com coragem e alegria, que Cristo vive! Este é o coração do querigma: Jesus morreu por nós, ressuscitou e está vivo no meio de nós (cf. 1Cor 15,3-5).

11.Que esta certeza transforme nossa Diocese, renovando nosso ardor missionário, fortalecendo nossa comunhão e fazendo-nos uma Igreja cada vez mais fiel ao Evangelho, em profunda comunhão com o Sucessor de Pedro, o Santo Padre, com os bispos do Brasil e com toda a Igreja espalhada pelo mundo. Unidos aos nossos irmãos no episcopado, ao clero, aos religiosos e a todas as comunidades eclesiais, celebramos a beleza da Páscoa como um só corpo, na mesma fé e na mesma esperança.

12.Aos nossos queridos catecúmenos, que nascerão para Deus nesta Páscoa pelo Batismo em nossas comunidades, dirijo uma palavra especial de acolhida e esperança. Vós vos preparais para ser mergulhados no mistério da morte e ressurreição de Cristo e introduzidos na vida nova da graça. A Igreja vos acompanha neste tempo precioso de mistagogia, no qual sereis conduzidos a compreender e viver os sacramentos que ides receber. Como ensina São Cirilo de Jerusalém: “Fostes conduzidos à piscina sagrada do Batismo… e ali morrestes e nascestes ao mesmo tempo” (Catequeses Mistagógicas, II, 4). Permanecei firmes na fé, assíduos na oração e na escuta da Palavra, para que aquilo que recebereis como dom se torne vida em vós e testemunho para o mundo.

13.Manifesto também minha sincera gratidão a todos os benfeitores de nossa Diocese — locais e de outras regiões — que, com generosidade, sustentam espiritual e materialmente as obras de evangelização e de serviço. Que o Senhor Ressuscitado lhes conceda abundantes graças.

14.Confiamos este caminho à intercessão da Imaculada Conceição, nossa excelsa padroeira. Aquela que gerou o Autor da vida acompanhe-nos para que vivamos plenamente o mistério pascal de seu Filho.

Com minha bênção e oração,

Formosa, Páscoa de 2026.

Dom Adair José Guimarães
Bispo Diocesano de Formosa