Diocese de Formosa-GO
Dom Adair José Guimarães
Bispo Diocesano

CARTA AO POVO DE DEUS DA DIOCESE DE FORMOSA
PANDEMIA DO CORONAVIRUS (COVID-19)

 “Senhor Jesus, pão da vida eterna e fármaco de imortalidade,
velai sobre o vosso povo, dai-lhe saúde e salvação”.

Amados sacerdotes, diáconos, religiosos, membros da vida consagrada e fiéis leigos, Deus os renove com a força do Divino Espírito Santo.

Mesmo que atravessemos o vale escuro, nada temeremos, pois estais conosco” (Sl 22,4). Neste momento singular e de grande preocupação com a pandemia do COVID-19, dirijo-me à nossa Família Diocesana para estabelecer alguns pontos de orientação em vista da preservação da vida humana, do estímulo à campanha de oração e intenso sentimento de caridade para com os que sofrem. Não se trata de um momento para entrar em desespero e angústia, mas de atestar nosso testemunho de fé, esperança e caridade. Somos um nada entregue nas mãos de Deus. Ele nos eleva, nos redime, nos direciona e nos salva.

Nestes dois últimos dias, os bispos do Regional Centro-Oeste (Brasília e Goiás), estiveram reunidos na sede da Conferência dos Bispos do Centro-Oeste, em Goiânia, para tratar de diversos assuntos, dentre eles o espectro da referida pandemia que nos assusta e nos impele a uma profunda vida de oração, submissão ao poder de Deus e ao exercício da prática da caridade no cuidado com os outros, sobretudo com os indefesos.

Os bispos entendem que necessitamos colaborar, mesmo em dor e desconforto pela abdicação de nossos preceitos, com as autoridades sanitárias, respondendo positivamente ao que tem sido estabelecido em decretos e orientações pelas instâncias do Ministério da Saúde, Governo de Goiás e municípios que a cada instante editam suas determinações para evitar a expansão do Coronavírus de forma tempestiva.

Os bispos são pastores e mestres da fé e não especialistas em epidemiologia. Neste momento preocupante, entendemos que as autoridades sanitárias devem direcionar os procedimentos que ajudem a preservar a vida e orientar as pessoas no seu agir para evitar que os efeitos da pandemia seja o menos danoso possível.

As autoridades estão corretas ao exigir que não saiamos de casa a não ser para o trabalho e por necessidades severas. A higiene das mãos constantemente e o evitar tocar a boca, nariz e olhos sem estar com as mãos limpas é o meio para não espalharmos a contaminação. O perigo é grande e bate à porta da nossa nação. Precisamos evitar ao máximo que a extensão da pandemia tenha efeitos devastadores como nos países da Europa e do Oriente. Recordo a todos que Bispo Diocesano pode dispensar, a teor do cânon 87 § 1 do Código de Direito Canônico, os fiéis das leis disciplinares no seu território.

Tendo em vista o exposto, fica estabelecido o seguinte:

  • Igrejas: Deverão ficar abertas para Adoração ao Santíssimo Sacramento e orações pessoais, não em grupos. Observe-se para que não se ultrapasse o limite de 50 pessoas no interior dos templos menores e 100 pessoas nos maiores, devendo elas observarem o espaço mínimo de dois metros umas das outras. As igrejas devem ser higienizadas conforme o fluxo de fiéis que passem por elas. As pessoas evitem tocar o altar, o sacrário, as imagens e as encostas dos bancos para evitar a contaminação. Onde for possível, coloque-se músicas religiosas em som baixo para ajudar as pessoas a rezarem. Exponha-se o quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro ou outra imagem da Santíssima Virgem Maria para favorecer a oração do povo de Deus e a recitação do Santo Rosário pelo fim da pandemia.
  • Eucaristia: a Santa Missa é o Santo Sacrifício de Cristo oferecido ao Pai em todos os altares do mundo. A partir desta data, em toda a Diocese, a Celebração Eucarística será “sine populo” (sem a presença física dos fiéis). Recordo a todos que a celebração da Santa Missa, sacrifício incruento de Cristo ao Pai, através das mãos do sacerdote, possui um valor universal de santificação da Igreja e de cada um de nós. Este Mistério é tão grande, que sua eficácia para nossa salvação e de todo o mundo independe da presença física dos fiéis, pois espiritualmente todos se fazem unidos pela comunhão de fé na Santíssima Trindade. Todos os fiéis estão dispensados da obrigação prevista no cânon 1247 do Código de Direito Canônico de participar presencialmente da celebração da Missa.
  • As celebrações eucarísticas serão transmitidas pelas TVs católicas nacionais e pelas redes sociais e rádios no território de nossa Diocese. Todos que assistirem em suas casas procurem ouvir atentamente a Palavra de Deus e fazerem a comunhão espiritual, importante instrumento de união eclesial e santificação pessoal, conforme nos ensinou Santo Afonso Maria de Ligório: “Meu Jesus, eu creio que estais presente no Santíssimo Sacramento. Amo-vos sobre todas as coisas e minha alma suspira por vós. Mas como não posso receber-vos agora no Santíssimo Sacramento, vinde, ao menos espiritualmente, ao meu coração. Abraço-me convosco como se já estivésseis comigo: uno-me convosco inteiramente. Ah! não permitais que torne a separar-me de Vós! Ó, sumo bem e doce amor meu, vulnerai e inflamai o meu coração, a fim de que esteja abrasado em vosso amor para sempre. Amém.”
    • Atividades pastorais: Todas as atividades pastorais: catequese, encontros, Curso de Teologia, Escola Diaconal, eventos formativos e sociais, visita pastoral, novenas, sacramentos em geral, procissões, grupos de oração e outros, devem ser adiados por tempo indeterminado. A autoridade sanitária é que vai nos dizer quando poderemos voltar tudo normalmente ou aos poucos.
    • Confissões: Os mutirões de confissões sejam cancelados. Os atendimentos paroquiais ficam a critério e juízo dos párocos que devem marcar dias de confissões nas igrejas ou em outros lugares apropriados de forma a poderem atender os penitentes com o devido preparo de higienização da parte do confessor e dos que vão se confessar. ´Pode-se usar a forma de agendamento para evitar aglomeração. As pessoas que não conseguirem confessar-se faça um ato de contrição perfeito e após a pandemia realize a confissão sacramental.
    • Atendimento aos doentes: Aos sacerdotes que estão fora do grupo de risco, cabe a obrigação de, usando os meios adequados de proteção para que não se contaminem e não levem a contaminação aos outros, ministrarem a Sagrada Unção dos Enfermos aos que precisarem em estrita necessidade. Obedecer aos protocolos de segurança estabelecidos pela autoridade sanitária.
    • Secretaria Paroquial: Deve funcionar com horários estabelecidos a critério do pároco, devendo observar sempre as regras de higienização e proteção. Fazer com que haja sempre boa ventilação e que esteja sempre ao alcance o álcool para a assepsia das mãos. Não cumprimentar com o toque de mãos. O Dízimo e as ofertas dos fiéis devem ser colocados numa caixa aberta ou urna, sem que se necessite ficar tocando no dinheiro. O mais adequado é fazer o depósito dessas quantias na conta da paróquia através de aplicativos ou diretamente na agência bancária. O vírus dura um bom tempo, chegando até 10 horas ou mais. A caixa e/ou a urna deve ser higienizada sempre que for tocada. Deve-se deixar as espécies de um dia para o outro sem serem tocadas. Havendo meio de desinfetá-las deve ser feito.
    • A prática da caridade: Os mais vulneráveis ao Coronavírus são os idosos e doentes. Vejo com grande dor que temos na Diocese muitos idosos que moram sozinhos e são pobres. Não podemos fechar os olhos a essas realidades. Há também os doentes desprovidos. Teremos que repartir o pão com eles e ajudar os indefesos. Aqui está o grande chamado de Deus: sejamos santos na prática do verdadeiro amor. Não há maior virtude do que a caridade (1Cor. 13,13).
    • Práticas que ajudam: Onde houver sistema de som externo nas igrejas (cornetas na torre), o sacerdote pode rezar o Angelus às 06h, às 12h e às 18h, além do Terço da Misericórdia que alguém pode recitar também às 15h. Incentivar o povo a montar oratórios ou espaços de oração em casa para que a família recite o terço, a Via-Sacra ou outras devoções. Estar sempre em conexão com as programações on-line que as paróquias promoverem. No facebook da Diocese de Formosa haverá sempre uma programação de missas, orações e catequese do Bispo Diocesano.
    • Cruzada Espiritual: Os fiéis organizem via redes sociais, cruzadas de orações, conforme a criatividade inspirada pelo Divino Espírito Santo para combatermos o mal que se manifesta através desta peste. Deus não é o autor dessa pandemia, permitida por Ele para levar a humanidade a superar a ausência d´Ele na vida da sociedade, da família e de cada pessoa. O orgulho da humanidade autossuficiente, sem Deus, cientificista, ateia, independente das coisas espirituais, está levando uma bofetada no rosto soberbo que vem sendo adornado com a vaidade da independência em relação ao Criador. A bofetada sai do invisível de um vírus tão pequeno e silencioso que coloca o orgulho das nações ajoelhado.

Neste tempo quaresmal, quis o Senhor Deus que experimentemos este infortúnio, talvez um dos maiores que teremos que enfrentar, mas podemos aplacar sua fúria com o poder da nossa oração e caridade. Convido nossa Família Diocesana a viver a força das virtudes teologais com fervor e eloquência. Para ajudar, a Comissão Diocesana de Liturgia elaborou um pequeno manual de orações e orientações espirituais para estes tempos difíceis, que será publicado nas redes sociais de nossa Diocese. Visite o site da Diocese e baixe as orações.

Aguardemos pelo fim deste tormento para celebrarmos um “Te Deum” público de ação de graças por tudo que o Bom Deus fez por nós. Esta nossa pobre mensagem é o início de outras que vamos fazer no desenrolar dos fatos. Rezemos pelas autoridades sanitárias, pelos médicos, enfermeiros e atendentes de enfermagem e por todos que vão estar no combate pela vida nestes próximos meses de enormes desafios e desconfortos.

Confiemos nossas vidas e de toda a Igreja à Imaculada Conceição, nossa Excelsa Padroeira e a São José, seu castíssimo esposo, pelo fim da pandemia. Ommia transeunt! Tudo passa!

Rezemos uns pelos outros,

Dom Adair José Guimarães
Bispo Diocesano


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